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Personagens Gaúchos: 115 anos do nascimento do poeta Mário Quintana

Dando sequência ao projeto “Personagens Gaúchos”, neste mês a Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio Grande do Sul (Anoreg/RS) traz detalhes da vida do poeta e jornalista Mário Quintana, considerado um dos maiores poetas do século XX. Neste ano, no dia 30 de julho, completam-se 115 anos do nascimento do poeta gaúcho.

Nascido no dia 30 de julho de 1906, na Região Sudoeste do estado do Rio Grande do Sul, no município de Alegrete, a certidão de nascimento de Mário de Miranda Quintana integra o acervo do Registro Civil das Pessoas Naturais de Alegrete. No documento, o registro da filiação completa do poeta: filho de Celso de Oliveira Quintana e de Verginia Miranda Quintana, neto de Candido Manoel de Oliveira Quintana, Maria Constança Maciel da Cunha, Eduardo Jorge de Miranda e Serafina Palma de Miranda.

O responsável pelo Núcleo de Memória e Acervo da Casa de Cultura Mario Quintana, Alexandre Veiga, destaca a importância do documento de nascimento como registro da história cultural. “O Registro Civil é um acervo de dados de extrema importância. A documentação contida nesse acervo permanentemente atualizado é fonte de pesquisa inestimável para a construção histórica humana e cultural da sociedade”.

O poeta

Mário Quintana iniciou os estudos na Escola Elementar e, em seguida, frequentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário, em Alegrete. Em 1919, aos 13 anos, mudou-se para Porto Alegre e ingressou no Colégio Militar da capital gaúcha, em regime de internato, onde publicou seus primeiros versos na revista literária dos Alunos do Colégio Militar.

No ano de 1923, Mário Quintana publicou um soneto no jornal de Alegrete, com o pseudônimo de “JB”. No ano seguinte, saiu do Colégio Militar e começou a trabalhar como atendente na livraria Globo, onde permaneceu durante três meses. Em 1925, retornou para sua cidade natal, onde passou a trabalhar na farmácia da família.

Em 1926, Mário Quintana foi premiado em um concurso de contos do jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre, com o conto “A Sétima Passagem”. Em 1929, começou a trabalhar como tradutor na redação do jornal O Estado do Rio Grande. “Em 1930, começa a publicar suas poesias na Revista do Globo e no Correio do Povo. Nessa mesma época, durante a Revolução que levaria Vargas ao poder, o jornal é fechado. Quintana decide engajar-se no movimento, como voluntário do 7º Batalhão de Caçadores, partindo com as tropas para o Rio de Janeiro”, ressaltou Alexandre Veiga. Seis meses depois, o poeta retornou para Porto Alegre e reiniciou seu trabalho no jornal O Estado do Rio Grande.

Já em 1940, Mário Quintana publicou seu primeiro livro de sonetos, intitulado “A Rua dos Cataventos”. Em 1948, o poeta gaúcho publica “Sapato Florido”. Em 1980, recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto da obra. Em 1981, recebeu o Prêmio Jabuti, como Personalidade Literária do Ano.

Mário Quintana não se casou e nem teve filhos. Foi hóspede do Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre, de 1968 até 1980. A certidão também traz averbado a data de óbito de Mário de Miranda Quintana. O poeta faleceu em Porto Alegre no dia 5 de maio de 1994, com 87 anos de idade, às 17h20, no hospital Moinhos de Vento, com o tipo de morte natural. O falecimento foi registrado no Registro Civil da 1ª Zona de Porto Alegre, no livro C-34, folha 124. Seu sepultamento foi realizado no Cemitério Irmandade são Miguel e Almas, na capital gaúcha. A certidão de óbito ainda revela que Mário Quintana não deixou bens e a existência de testamento é ignorada.

Casa de Cultura Mario Quintana

De acordo com Alexandre Veiga, a proposta de homenagear Mário Quintana como patrono da instituição partiu de um grupo de estudantes, liderados por Nelson Moreira e Carolina Gleich, que fizeram a sugestão ao então deputado estadual Ruy Carlos Ostermann, proponente da Lei 7.803, de 8 de julho, aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (AL/RS).

A Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), localizada no centro histórico de Porto Alegre, foi inaugurada em 25 de setembro de 1990, mas sua história começou a tomar forma em julho de 1980, com a compra do prédio do Hotel Majestic pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), que pretendia instalar neste local sua sede.

“A imponência arquitetônica do prédio construído por Theo Wiedersphan, entre 1916 e 1923, causou intensa mobilização da comunidade cultural, que pleiteava a destinação do magnífico edifício para a realização de atividades ligadas à cultura. Assim, em 29 de dezembro de 1982, o Governo do Estado adquiriu o Majestic do Banrisul e, um ano mais tarde, o prédio foi arrolado como patrimônio histórico, tendo início, a partir de então, sua transformação em um espaço destinado a receber as mais variadas manifestações culturais”, explicou Alexandre Veiga.

Mário Quintana residiu no antigo Hotel Majestic entre 1968 e 1980, ano em que o estabelecimento deixou de funcionar. Nessa época já era um escritor renomado, o que levou a instituição a receber seu nome.

“A poesia de Mario Quintana habita a dimensão dos maiores expoentes da literatura brasileira. Sua produção poética foi marcada por uma falsa simplicidade, na medida em que o poeta se serviu de elementos do cotidiano para expressar sentimentos profundos, propondo aos leitores uma conexão dos aspectos corriqueiros da vida através de imagens poéticas singulares”, destacou Alexandre, que também apontou que a extensão da obra do poeta flui de forma marcante também pela literatura infantil e deixa ainda o legado de tradutor responsável pelas versões de grandes clássicos da literatura mundial.

 Quer participar?

Os cartórios interessados em participar do projeto podem compartilhar sugestões de nomes de personalidades gaúchas marcantes que estão registradas em suas serventias, enviando um e-mail para [email protected]. Com as informações iniciais, a equipe de Comunicação da Anoreg/RS retornará o contato para dar continuidade à produção da reportagem.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Anoreg/RS