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Personagens Gaúchos: o legado de João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes

Considerado um dos maiores tradicionalistas do RS, João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes nasceu em Santana do Livramento no dia 12 de julho de 1927

A Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio Grande do Sul (Anoreg/RS) segue neste mês a série de reportagens do projeto “Personagens Gaúchos”, que tem por objetivo contar histórias de nomes marcantes do Rio Grande do Sul através de suas certidões de nascimento. Para o conteúdo deste mês, a entidade traz detalhes da vida de um dos ícones do tradicionalismo gaúcho: João Carlos D’Ávila Paixão. No dia 12 de julho de 1927, às três horas, nascia em Santana do Livramento, um dos maiores símbolos da música tradicionalista gaúcha.

O político teve seu nascimento registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Santana do Livramento, no livro A-41, folha 62. O cantor Paixão Côrtes era filho de Julio Paixão Côrtes e de Fátima D’Ávila, tendo atuado ainda na sua trajetória profissional como folclorista, escritor, compositor, radialista e pesquisador da cultura gaúcha.

Formado em engenheira agrônoma, foi responsável pela abertura de mercado da ovelha no Rio Grande do Sul. Trabalhou na Secretaria da Agricultura do Estado do RS, onde desenvolveu trabalhos relacionados com a ovinotecnia, com destaque para a introdução da tosquia australiana e a tipificação de carcaças.

Na pesquisa, se dedicou ao estudo da cultura, hábitos e costumes populares do Rio Grande do Sul, os quais registrou em dezenas de publicações e discos. Realizou cursos sobre tradição, folclore e danças tradicionais; ministrou aulas para professores em especializações em faculdades; e realizou diversos espetáculos de danças. Em 1947, liderou os estudantes que fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre.

Seu trabalho dedicado à tradição gaúcha deu origem aos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Paixão Côrtes foi modelo, em 1954, para a Estátua do Laçador, obra do escultor Antônio Caringi instalada na zona Norte de Porto Alegre, e escolhida, em 1992, símbolo da capital do RS.

Como radialista, falava em seus programas sobre seus estudos e oportunizava o espaço para manifestação da cultura gaúcha. Também participou de uma série de solenidades culturais que deram origem aos símbolos da Chama Crioula e do Candeeiro Crioulo, que inspiraram a criação da Semana Farroupilha, além de contribuir na fundação do 35 Centro de Tradições Gaúchas, o primeiro CTG, fundado na cidade de Porto Alegre no dia 24 de abril de 1948. Recebeu ainda a Medalha Negrinho do Pastoreio como reconhecimento por serviços prestados à cultura, e a Medalha Assis Brasil em destaque por seu trabalho em prol da agropecuária.

Paixão Côrtes começou a publicar suas primeiras obras sobre a cultura gaúcha em 1950, com Lendas Brasileiras, com desenhos de José Lutzemberger. Em 1956, publicou o Manual de Danças Gaúchas, com Barbosa Lessa. Também teve carreira internacional, onde apresentou-se no Olympia de Paris, na Sorbonne, no Hotel de Ville e no Teatro Alhambra. Em 1964, marcou presença na Feira Mundial de Transportes e Comunicação, em Munique, na Alemanha.

Em 1960, publicou Terno de Reis e Folclore Musical e, no ano seguinte, Vestimenta do Gaúcho. Já em 1961, lançou Gaúchos de Faca na Bota e gravou o disco Folclore do Pampa. Em 1964 recebeu o prêmio de Melhor Cantor Masculino de Folclore do Brasil. Em 2010 foi escolhido patrono da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Paixão Côrtes faleceu no dia 27 de agosto de 2018, aos 91 anos, em decorrência da saúde fragilizada e de complicações em função da idade. O velório foi realizado no Salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini, em Porto Alegre. Na época, o governo do Estado do Rio Grande do Sul decretou luto oficial de três dias.

Clique aqui e confira a íntegra da certidão.

Quer participar?

Os cartórios interessados em participar do projeto podem compartilhar sugestões de nomes de personalidades gaúchas marcantes que estão registradas em suas serventias, enviando um e-mail para [email protected]. Com as informações iniciais, a equipe de Comunicação da Anoreg/RS retornará o contato para dar continuidade à produção da reportagem.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Anoreg/RS